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Quilombo Morro Alto

REGIÃO LITORÂNEA

A faixa de planícies próxima ao litoral gaúcho é a região em que se encontram as Comunidades Quilombolas mais extensas e com o maior número de famílias no Rio Grande do Sul.  Foi nessa região, também, onde se estabeleceram os mais antigos povoadores portugueses no Estado. No final dos séculos XVII e início do XVIII a localidade era denominada de Campos de Viamão, e abrangia terras entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, se estendendo até Torres, ao norte, e aos atuais municípios de Viamão, Santo Antônio da Patrulha e Maquiné, à oeste. Devido a sua flora e topografia, a região era propícia à pecuária, e possuía um imenso rebanho de gado que havia se tornado selvagem. A descoberta de ouro e a expansão das atividades mineradoras na região das Minas Gerais, no início do século XVIII, demandou uma grande quantidade de animais (gado, cavalos e mula), tanto para alimentação quanto para o transporte. Nesse contexto, intensifica-se a colonização lusitana no litoral do Rio Grande do Sul e surgem grandes fazendas para a criação de gado. Por conta disso, um expressivo contingente de africanos foi trazido ao estado para trabalhar como escravos nas estâncias dessa região. O Censo Paroquial realizado na Freguesia de Viamão em 1751 contabiliza que 45% da população local era composta por escravos. A mão negra foi fundamental para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul desde o início da colonização portuguesa na região.

 

Quilombo Morro Alto

O Quilombo de Morro Alto, localizado no município de Maquiné, é a comunidade que reúne o maior número de famílias quilombolas no Rio Grande do Sul, e uma das maiores do Brasil. São atualmente 453 famílias vivendo em uma área que era originalmente de 15 mil hectares. No final do século XIX, a proprietária das terras, Rosa Osório Marques, concedeu a liberdade aos escravos que viviam na sua fazenda e registrou em seu testamento a doação das terras a eles. Localizado em uma linda paisagem cercada pelo Morro Alto e pelas lagoas do entorno, o quilombo sofreu ao longo do século XX com a ação de grileiros e posseiros, e luta há décadas pela titulação das terras. No início dos anos 1960, em um contexto de luta pela Reforma Agrária, os quilombolas da região deram os primeiros passos para o reconhecimento do território. Contudo, a repressão instaurada após o golpe civil-militar de 1964 interrompeu a luta e levou à prisão algumas lideranças da comunidade. A mobilização em torno da titulação foi retomada na década de 1990, mas ainda segue sem resolução e gerando conflitos. Recentemente, a comunidade foi afetada pela duplicação da rodovia BR-101, obra que trouxe sérios impactos ambientais e econômicos. O Quilombo de Morro Alto preserva aspectos identitários étnicos que remontam ao século XIX, com destaque para a culinária, a construção artesanal de tambores e a festividade do Maçambique, que mistura religiosidade, danças e ritmos de matriz africana com a religião católica.