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Quilombo Limoeiro

Localizada na divisa dos municípios de Bacupari e Palmares do Sul, a Comunidade do Limoeiro reúne cerca de 90 famílias em uma área de 708 hectares. A origem do Quilombo é semelhante ao da Casca: a terra pertencia ao irmão de Dona Quitéria, e no início do século XIX foi doada à escrava Anastácia (também conhecida como “Chica Brincuda”) e outros quatro escravos, ancestrais das famílias que atualmente residem no local. Os laços históricos e de parentesco entre os quilombos da região litorânea do estado se estende até os dias de hoje, com casamentos entre as comunidades e participação em festividades. Além disso, a mobilização em torno da luta pelo reconhecimento como quilombolas promoveu uma integração política a partir do início dos anos 2000, com a participação em fóruns, reuniões e encontros regulares. O fundador da Associação Comunitária do Limoeiro, Seu Maneca, de 74 anos, nos relatou a respeito da persistência de um regime de trabalho de semi-escravidão na região durante o século XX e para a existência de práticas de segregação entre negros e brancos durante a sua juventude. Além disso, Seu Maneca relata episódios de repressão aos cultos de origem africana durante o período da ditadura civil-militar (1964-1988). Atualmente, a Associação é presidida por Lisiane de Oliveira, e o restante da diretoria é composta também por mulheres. Após 15 anos lutando, em fevereiro de 2016 o quilombo finalmente conquistou o decreto de reconhecimento pelo INCRA, dando um passo importante no processo de titulação de suas terras.