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Quilombo Martimianos

REGIÃO CENTRAL

Os municípios do Vale do Jacuí concentram uma quantia expressiva de comunidades quilombolas rurais. A região se tornou um importante pólo de colonização lusitana e açoriana a partir da segunda metade do século XVIII devido aos solos férteis, à facilidade de acesso e a abundância de águas, matas e pastagens. Outro motivo que levou à colonização foi o interesse da coroa portuguesa em garantir a posse do território. A região foi marcada pelo conflito entre portugueses e espanhóis e indígenas que habitavam originalmente o local, e até o firmamento do Tratado de Madrid, em 1750, pertencia ao Império Espanhol.  Após o tratado, o Império Português construiu um Forte na região e estabeleceu a Freguesia de Rio Pardo, englobando todo o Vale do Jacuí. Diversas sesmarias passaram a ser doadas a estancieiros de origem portuguesa, os quais levaram uma grande quantidade de escravos africanos à região para trabalhar em atividades relacionadas à pecuária. Atualmente são mais de 10 quilombos rurais no local, a maior parte deles teve sua origem na fuga de escravos ao longo do século XIX. Após a abolição da escravatura, em 1888, os quilombos da região seguiram recebendo negros que buscavam viver em liberdade e escapar das condições de trabalhos semiescravos que persistiam no meio rural. Ao longo do século XX, esses quilombos foram perdendo grande parte da sua área original devido ao avanço das fazendas do entorno.

 

Quilombo Martimianos

O Quilombo Rincão dos Martimianos se localiza no município de Restinga Seca e teve origem no final do século XIX, a partir do casamento de Martimiano Rezende de Souza com Alzira Rezende de Souza. Martimiano era filho de uma ex-escrava com seu senhor, enquanto Alzira Rezende de Souza era filha de Geraldo de Carvalho, o ex-escravo e fundador da comunidade Quilombola de São Miguel dos Pretos. Ambas as comunidades estiveram ligadas por laços de parentesco e reciprocidade desde sua origem. Em 2014, o Rincão dos Martimianos se tornou a 2ª comunidade quilombola rural a ser titulada pelo INCRA no Rio Grande do Sul, totalizando uma área de 110 hectares, nos quais vivem 45 famílias. Nenhum outro Quilombo Rural foi titulado no estado desde então. Com o processo de mobilização e organização de sua Associação, a comunidade conseguiu conquistar junto à Secretária do Desenvolvimento Rural a construção de um galpão e a compra de um trator e maquinário para a produção agrícola. O quilombo é cercado por fazenda de fumo e soja, que acabaram contaminando o solo da região com alto teor de agrotóxicos. A comunidade atualmente está manejando a terra para a produção orgânica de arroz e hortaliças. O presidente da Associação, João Oraci Rezende de Souza, relata que após o golpe que tirou a presidenta Dilma do poder se fecharam as portas do governo federal para programas de apoio às comunidades quilombolas.