Financimento

Quilombo Vó Elvira

REGIÃO SUL

A região do entorno do município de Pelotas é atualmente a que possui o maior número de quilombos rurais no Rio Grande do Sul. São 43 comunidades reconhecidas e outras em via de reconhecimento. A presença expressiva de afrodescendentes e de quilombos no local se deve às especificidades históricas do nosso estado. A colonização lusitana na região foi marcada pela criação de gado e pelas charqueadas, que representavam a principal atividade econômica do Rio Grande do Sul entre a segunda metade do século XVIII e início do XIX, totalizando mais de 70% do total das exportações. A região de Pelotas era o principal polo produtor de charque na época, e foi determinante para o desenvolvimento do estado e colonização do seu interior. A criação de gado e a produção do charque demandavam uma grande quantidade de trabalhadores. Por conta disso, entre 1790 e 1820 cerca 20 mil homens e mulheres foram trazidos da África ao porto de Rio Grande, a maior parte deles passou a trabalhar como escravos nas fazendas do entorno de Pelotas, nas charqueadas, e também em diversas atividades domésticas e urbanas que proliferaram com a expansão da cidade. Em 1833, 51% da população de Pelotas era composta por escravos africanos, o que aponta para a importância fundamental da mão negra para o desenvolvimento econômico da região. Provindos de distintas nações africanas (Angola, Benguela, Congo, Cabinda, Mina, Moçambique, Monjolo), esses homens e mulheres negros trouxeram consigo uma cultura rica e diversa que ajudou a compor a identidade cultural de nosso estado.

 

Quilombo Vó Elvira

O Quilombo Vó Elvira se localiza em Monte Bonito, 9º distrito de Pelotas, e é composto por cerca de 20 famílias. O nome da comunidade é uma homenagem à Dona Elvira Lima, que foi a primeira moradora do local. As famílias da região se dedicam à agricultura de subsistência e a produção orgânica de hortaliças e frutas. Desde o final de 2015, essa e outras comunidades quilombolas da região sul do estado comercializam parte de sua produção agroecológica para o Grupo Hospitalar Conceição – GHC, de Porto Alegre, através de uma parceria firmada entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério do Desenvolvimento Social, a Federação das Associações de Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul e a Cooperativa Terra de Quilombo. A distância, a precariedade das estradas e a escassez de recursos e infra-estrutura das comunidades quilombolas rurais faz com que a maioria delas encontre dificuldades para a comercialização da sua produção. Essa iniciativa do GHC deu impulso às atividades agrícolas nos quilombos, possibilitando contornar o problema. Contudo, após o impeachment da presidenta Dilma, há certa insegurança quanto ao futuro do projeto de aquisição de alimentos por parte do hospital.