Financimento

Quilombo de Palmas

REGIÃO DA FRONTEIRA

A região da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai foi marcada pelas disputas entre o Império Brasileiro e a República do Uruguai ao longo do século XIX. Nesse período, há uma grande expansão das pecuárias na Campanha gaúcha, e um contingente expressivo de escravos africanos foi levado ao local para trabalhar nessa atividade. A região ainda hoje tem por características a presença de grandes latifúndios, e os quilombos existentes se encontram a grandes distâncias um dos outros e apresentam realidades bastante distintas, conforme cada caso. Outra peculiaridade da fronteira gaúcha é o trânsito de escravos e negros entre os dois países. O Uruguai aboliu a escravatura em 1842, quase 50 anos antes que o Brasil. Por conta disso, a região se tornou rota de fuga para os escravos brasileiros que buscavam a liberdade: bastava cruzar a fronteira com Uruguai para se tornar livres. Em alguns casos, os negros e negras que fugiram ao Uruguai para conquistar a liberdade retornaram posteriormente ao Brasil, se estabelecendo em quilombos próximos à fronteira.

 

Quilombo de Palmas

O Quilombo de Palmas se localiza a 90 km da sede do município de Bagé, em uma região de difícil acesso e relevo íngreme e pedregoso da bacia do Rio Camaquã. A comunidade é formada por cerca de 30 famílias reunidas em três núcleos distintos, mas interligados por laços de parentesco. A origem do quilombo remonta aos tempos da escravidão, quando escravos fugidos encontraram na topografia acidentada da região um local propício para se estabelecerem. Entre as atividades produtivas do quilombo destacam-se a agricultura de subsistência, a criação de caprinos e ovinos, o artesanato em lã e a fabricação artesanal de doces. Desde o início dos anos 2000 a comunidade conta com uma Associação, e vem lutando para a garantia de direitos e para a conquista a titulação. O primeiro presidente da Associação, Leomar Alves, nos conta que os fazendeiros do entorno invadiram a comunidade e bloquearam as estradas por mais de um mês quando foram notificados pelo INCRA sobre o processo de titulação. A Associação Comunitária do Quilombo de Palmas conseguiu reverter a situação, acionando o Ministério Público e fazendo valer seus direitos. Fruto de sua mobilização, o Quilombo de Palmas é o único do Rio Grande do Sul a possuir uma rádio comunitária, importante instrumento para o seu fortalecimento e para a divulgação de suas atividades.